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DIA DA CACHAÇA

Paixão dos brasileiros, Cachaça é celebrada neste domingo (13) em todo o país

Minas mantém tradição centenária do setor e aposta em qualidade e inovação para conquistar novos mercados

Publicado em 11/09/2026 às 18:31
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A cachaça é uma bebida com uma carga simbólica muito grande para a cultura e identidade brasileira (Foto: Foto: RHJ/iStock)

Celebrado em 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça foi criado em 2009 por iniciativa do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), em referência à data de 1661, quando ocorreu a chamada Revolta da Cachaça, movimento que resultou na liberação oficial da produção da bebida no Brasil pela Coroa Portuguesa. A data reconhece a importância histórica, cultural e econômica de um produto genuinamente brasileiro. 

Em Minas Gerais, a cachaça ultrapassou o papel de símbolo regional e se consolidou como uma atividade estratégica, capaz de gerar renda, empregos, arrecadação, turismo e oportunidades de negócios. Somente em 2025, o setor movimentou R$ 624,7 milhões no estado, segundo levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). 

Minas mantém protagonismo nacional na produção de cachaça. De acordo com o Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o estado possui 564 estabelecimentos elaboradores de cachaça registrados, o maior número entre todas as unidades da federação, concentrando 36,7% dos estabelecimentos do país. O estado também lidera em diversidade de produtos, com 2.922 cachaças registradas, aproximadamente 35% do total nacional. 

A relevância econômica do setor também aparece nos dados estaduais. Do faturamento registrado em 2025, 54% tiveram origem em vendas para fora de Minas Gerais, incluindo o mercado interestadual e as exportações, enquanto 46% correspondem ao mercado interno mineiro. No mesmo período, a cadeia gerou aproximadamente R$ 56,5 milhões em ICMS. 

Além do impacto econômico, a cachaça integra o patrimônio cultural mineiro. O processo tradicional de fabricação foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Estado pela Lei Estadual nº 16.688, de 2007, reforçando a relação entre a bebida, os saberes transmitidos entre gerações e os territórios onde é produzida. 

Municípios como Salinas, Córrego Fundo, Coronel Xavier Chaves, Januária, Paracatu, Raul Soares e Itaverava ajudam a construir uma geografia da cachaça em Minas Gerais, com diferentes métodos de produção, características sensoriais e histórias ligadas às comunidades locais. 

O Sul de Minas também possui várias marcas premiadas em concursos nacionais e que chegam a outros países como a bebida genuinamente brasileira. Em Pouso Alegre a produção é economicamente representativa, o município possui vários alambiques de porte, tradição e destaque no cenário nacional.  


DA PRODUÇÃO MINEIRA PARA O MUNDO 

Em 2025, o Brasil exportou quase 8 milhões de litros de cachaça para 76 mercados, alcançando receita de pouco mais de US$ 17 milhões, segundo dados do MAPA. Minas Gerais também ampliou sua participação nesse cenário. Dados divulgados pelo Governo de Minas apontam que o estado exportou aproximadamente US$ 1,5 milhão em cachaça em 2025, correspondente a cerca de 8,8% do valor exportado pelo país. 

Há muito a cachaça deixou de ser vista como bebida de segunda classe e passou a frequentar os balcões das melhores barras de coquetelaria do país. Ou as cartas de estabelecimentos — bares e restaurantes — especializados em oferecer uma quantidade sideral de rótulos, produzidos no Brasil, da Amazônia aos Pampas.  

Se o caso é só beber, sentir aromas e sabores diferentes, e ser feliz, um pouco de cultura sobre a cachaça pode tornar sua experiência com a caninha ainda mais proveitosa e divertida. No 13 de setembro, Dia da Cachaça, conheça um pouco mais sobre suas peculiaridades e sua história. 


A CACHAÇA TEM ALTO VALOR AGREGADO 

Todo mundo sabe que há cachaça branca, amarela, dourada e algumas de coloração bem escura. Essa variedade de matizes tem a ver com o tipo de madeira em que o destilado é armazenado e envelhecido. Nesse quesito, o Brasil é campeão: os produtores de cachaça têm permissão de envelhecê-la em mais de 30 tipos de madeira. Os barris onde descansa não vão determinar apenas a cor do líquido, mas seus aromas e sabores, que também sofrem influência do tipo de cana-de-açúcar utilizada, das condições climáticas e de solo de cada região e dos estilos de fermentação e de destilação do caldo de cana. 

Passear pelos tipos de cachaça é um caminho quase sem fim. Além da branquinha, você pode optar por uma bebida envelhecida em jequitibá, que traz notas sutilmente doces, lembrando baunilha. A amburana, bem popular, acrescenta ainda mais dulçor à cachaça e um toque fortemente amadeirado. Bálsamo dá um caráter de ervas e especiarias ao líquido. A madeira pode esconder defeitos.  

Usar madeira em envelhecimento de cachaça pode não ser exatamente uma virtude. Muitos produtores lançam mão desse recurso justamente para esconder a falta de qualidade do seu destilado base, sobretudo com madeiras bastante intensas, como carvalho e amburana. Uma dica dos especialistas para analisar a qualidade de um produtor é sempre começar pela cachaça branca, antes de provar as envelhecidas. O líquido sem passagem por madeira mostra a bebida como saiu do alambique, sem maquiagem.  


CACHAÇA QUE ARDE É RUIM? 

A cachaça pode arder na goela por alguns motivos e um deles é a falta de qualidade da destilação. Outro pode ser a sensibilidade (temporária ou crônica) do seu organismo ao álcool, o que facilita a queimação no esôfago, seja com cachaça, vodca ou tequila. 

Bebidas mal elaboradas, com alta concentração de metanol, costumam causar a sensação de que você está engolindo lava vulcânica. Por isso, a culpa não é da cachaça em si, mas de determinadas marcas mequetrefes. Há, porém, estilos mais ácidos de cachaça, dependendo da região de produção. E a acidez de uma bebida não é propriamente um defeito. Como identificar uma cachaça de boa precedência?  


ELA TAMBÉM FOI SÍMBOLO DA INDEPENDÊNCIA   

Os líderes da Revolta da Cachaça preferiram brindar a vitória com vinhos portugueses, que consideravam superiores ao próprio destilado que produziam. A cachaça foi mesmo tomada como símbolo de brasilidade por outro movimento rebelde que aconteceria no século XVIII.  

A cúpula da Inconfidência Mineira, que queria ver o Brasil independente, bebia cachaça para demonstrar repúdio à Coroa do Portugal. Tiradentes, o mais célebre inconfidente, teria dito "molhem minha goela com cachaça da terra" antes de ser enforcado. Em 1817, a cachaça também simbolizou o nacionalismo, sendo a preferida dos líderes da Revolução Pernambucana, que boicotava os produtos de Portugal.


DE ONDE ELA VEIO?  

A cachaça é brasileira, ora essa. A hipótese mais provável de seu nascimento é a de que, já dominando as técnicas de destilação, os colonizadores portugueses tenham feito experiências com o caldo de cana fermentado e gostado do resultado. Afinal, cana era o insumo abundante que tinham à mão, na falta das uvas com que faziam suas bagaceiras europeias.  

As palavras cachaça e cachaza já existiam no vocabulário da Península Ibérica. Produzido com cana, foi o primeiro destilado a surgir na América Latina. Embora haja controvérsias sobre a data e o local de nascimento, é provável que tenha aparecido entre 1516 em 1532, em algum engenho do litoral brasileiro. Os historiadores trabalham com hipóteses distintas sobre o berço da primeira cachaça.  

Há uma versão de que ela teria nascido entre 1516 e 1526 em Itamaracá, Pernambuco. Outra dá conta de que teria surgido em 1520, em Porto Seguro, Bahia. O historiador Câmara Cascudo, na obra "Prelúdio da Cachaça", crava São Vicente, São Paulo, e 1532, como o local e a data mais prováveis.

Fonte: Portal da Cidade Pouso Alegre, com informações de Ascom/Fiemg

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