Portal da Cidade Pouso Alegre

FEMINICÍDIO

Sargento que matou mulher trans no Sul de Minas está preso no BPM em Pouso Alegre

Vítima foi morta com seis tiros na cabeça porque ameaçou divulgar o relacionamento entre os dois 

Publicado em 26/08/2026 às 19:26

A vítima Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, foi morta a tiros pelo sargento José Sérgio de Oliveira, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal (Foto: Redes sociais)

A Justiça manteve preso, nesta quarta-feira (26), o policial militar José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, investigado pela morte da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, em Jacuí, no Sul de Minas. A prisão preventiva foi decretada durante a audiência de custódia e está relacionada à investigação do caso registrado como feminicídio.

O sargento permanece custodiado no 20º Batalhão da Polícia Militar em Pouso Alegre. Inicialmente, ele havia sido preso em flagrante por ocultação de cadáver, mas a investigação avançou e passou a apurar também sua participação na morte de Maryna.


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Segundo a Polícia Civil, José Sérgio se apresentou espontaneamente à PMMG, confessou o crime e alegou legítima defesa, pois segundo ele Maryna o teria atacado com uma faca. Ele ainda apontou aos investigadores o local onde o corpo da conselheira havia sido enterrado, na zona rural de Jacuí. A vítima estava desaparecida desde a última sexta-feira (21) e foi localizada na terça-feira (25), após as informações fornecidas pelo suspeito.

Apesar de ser integrante da Polícia Militar, o investigado responderá pelo caso na Justiça comum. Conforme a Polícia Civil, o crime ocorreu fora do exercício da função policial, motivo pelo qual a apuração não será conduzida pela Justiça Militar.

A defesa informou que o policial está colaborando com as investigações e aguarda a conclusão do inquérito.


INVESTIGAÇÃO BUSCA CONHECER DINÂMICA DO CRIME

Com a localização do corpo, a Polícia Civil concentra os trabalhos na reconstrução da dinâmica da morte e na identificação de todos os elementos envolvidos no caso.

Exames realizados no Instituto Médico Legal (IML) de São Sebastião do Paraíso apontaram, de forma preliminar, ferimentos provocados por disparos de arma de fogo na região da cabeça de Maryna. Os laudos periciais ainda devem detalhar a causa e as circunstâncias da morte. Informações preliminares são de que a vítima recebeu pelo menos seis tiros na região da cabeça. 

A polícia também pretende verificar qual arma teria sido utilizada e se há elementos materiais que possam relacioná-la ao crime. Para isso, uma perícia balística poderá ser realizada caso o armamento seja localizado e apreendido.

Outro ponto investigado é a possibilidade de participação de outras pessoas. Até o momento, José Sérgio é apontado como principal suspeito e não há confirmação oficial de outros envolvidos.


CASO COMEÇOU COM DESAPARECIMENTO

O desaparecimento de Maryna mobilizou as forças de segurança e familiares desde a última sexta-feira. A mudança na linha de investigação ocorreu após informações reunidas durante o fim de semana indicarem uma possível relação entre a vítima e o policial militar. Ele informou à polícia que Maryna, uma mulher trans, teria ameaçado divulgar o relacionamento extraconjugal entre os dois, para chegar ao conhecimento da sua esposa, comunidade e à corporação militar. 

A partir desses dados, as polícias Civil e Militar passaram a trabalhar de forma integrada até chegar ao suspeito e, posteriormente, ao local onde o corpo havia sido ocultado, em área rural de Jacuí, próximo a uma estrada que liga ao município de Fortaleza de Minas.

A prisão preventiva permite que José Sérgio permaneça detido durante o avanço das investigações. O inquérito deverá reunir os laudos periciais, depoimentos e demais elementos que poderão subsidiar a responsabilização criminal pelo feminicídio.

Maryna atuava como conselheira tutelar em Jacuí e era conhecida pelo trabalho voltado à proteção de crianças e adolescentes. A morte provocou comoção no município e manifestações de pesar da Prefeitura e de pessoas que conviviam com a conselheira.

Fonte: Portal da Cidade Pouso Alegre, com informações da PCMG

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