Portal da Cidade Pouso Alegre

NOVA DENÚNCIA 

Bebê morre após parto e família denuncia possível negligência em hospital regional

É a segunda denúncia neste mês envolvendo atendimento de paciente no Hospital Regional de Varginha

Publicado em 12/08/2026 às 16:19

Hospital Regional do Sul de Minas com nova denúncia de negligência no atendimento médico (Foto: Divulgação)

Um bebê morreu horas após o parto na maternidade do Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, na segunda-feira (10). A família registrou um boletim de ocorrência e pede que sejam investigadas as circunstâncias do atendimento prestado à mãe durante a gestação e no trabalho de parto.

De acordo com a declaração de óbito, a criança morreu em decorrência de asfixia grave associada à síndrome de aspiração de mecônio, condição em que o recém-nascido aspira para os pulmões uma mistura que contém mecônio, as primeiras fezes eliminadas pelo bebê.


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Segundo o relato da mãe, Lívia Salgado Tavares Silva, ela havia procurado o Hospital Regional cerca de duas semanas antes do parto, depois de perceber a saída de líquido. Na ocasião, conforme afirmou, foi examinada e liberada após a avaliação indicar que não havia perda de líquido.

Na madrugada de segunda-feira, Lívia retornou à maternidade depois do início das contrações. Ela relatou que apresentava aproximadamente dois centímetros de dilatação.

Ainda segundo a mãe, uma médica avaliou inicialmente que o parto não estava em evolução e solicitou uma cardiotocografia, exame utilizado para acompanhar simultaneamente os batimentos cardíacos do feto e as contrações uterinas.

Lívia afirma que permaneceu por cerca de uma hora realizando o procedimento. Durante esse período, outro médico teria identificado alterações na frequência cardíaca do bebê e indicado a realização de uma cesariana. De acordo com o relato apresentado pela família, entretanto, antes da cirurgia teria sido solicitado um novo exame.

O bebê acabou nascendo posteriormente, mas apresentou um quadro grave e morreu horas depois.


FAMÍLIA PEDE INVESTIGAÇÃO

A família considera que a sequência de atendimentos precisa ser analisada pelas autoridades para esclarecer se houve demora ou falha na assistência médica e se alguma intervenção poderia ter alterado o desfecho.

Como se trata de uma denúncia, as circunstâncias ainda precisam ser apuradas pelos órgãos responsáveis. O boletim de ocorrência não representa, por si só, comprovação de negligência ou erro médico.

Com referência a esse caso, o Hospital Regional do Sul de Minas emitiu uma nota nesta quarta-feira (12). Veja a seguir: 


NOTA À COMUNIDADE 

Recebemos com profunda tristeza a notícia da perda do recém-nascido ocorrida em nossa maternidade. 

Neste momento, queremos, antes de qualquer outra manifestação, expressar nossa solidariedade à paciente, à sua família e a todos que compartilham dessa dor. Sabemos que não existem palavras capazes de amenizar um sofrimento como esse, mas queremos que essa família saiba que ela tem nosso respeito e nossa consideração. 

Também temos acompanhado as manifestações da comunidade. Entendemos que acontecimentos como este despertam tristeza, preocupação e muitas dúvidas. Também fazem com que outras mulheres sintam necessidade de compartilhar suas próprias experiências. Nós ouvimos essas manifestações com respeito. Cada relato importa e nos ajuda a compreender melhor como nossos pacientes e familiares vivenciam o cuidado que oferecemos. 

O caso está sendo cuidadosamente analisado por nossa equipe, como ocorre em todos os eventos graves atendidos pela instituição. Nosso compromisso é compreender, de forma criteriosa e responsável, toda a evolução do atendimento e identificar todas as oportunidades de aprendizado e aperfeiçoamento. 

Por respeito à paciente, à sua família e ao sigilo previsto na legislação, não podemos comentar publicamente detalhes clínicos do caso. Essa postura existe para proteger a privacidade das pessoas envolvidas e garantir que qualquer análise seja conduzida com responsabilidade, ética e baseada em todos os fatos. 

Também sabemos que cuidar não significa apenas oferecer um atendimento tecnicamente adequado. Significa ouvir, acolher, orientar, comunicar com clareza e estar presente nos momentos mais difíceis. É por isso que estamos fortalecendo iniciativas voltadas à experiência das pacientes, ao acolhimento das famílias e ao desenvolvimento contínuo de nossas equipes. 

Há mais de 100 anos, o Hospital Regional do Sul de Minas faz parte da vida da nossa comunidade. Essa história nos enche de orgulho, mas, acima de tudo, aumenta nossa responsabilidade. Cada evento grave nos mobiliza, nos faz refletir e reforça nosso compromisso de aprender continuamente para oferecer um cuidado cada vez mais seguro, humano e digno da confiança que a população deposita em nossa instituição. 

À paciente e à sua família, renovamos nossa solidariedade. À comunidade, reafirmamos nosso compromisso de continuar ouvindo, aprendendo e cuidando das pessoas com respeito, transparência e humanidade. 

Varginha, 12 de agosto de 2026. 

HOSPITAL REGIONAL DO SUL DE MINAS


OUTRO CASO RECENTE ENOLVENDO O HOSPITAL

A denúncia ocorre poucos dias depois de outro caso envolvendo o mesmo hospital e também relacionado a uma suspeita de falhas na assistência a uma paciente após o parto.

Keyla Ferreira Batista, de 32 anos, moradora de Cordislândia, morreu no dia 2 de agosto, após dar à luz por cesariana no Hospital Regional do Sul de Minas. O caso também foi levado à Polícia Civil por meio de boletim de ocorrência, a partir do relato apresentado pelo marido da paciente.

Segundo a versão registrada pela família, Keyla começou a apresentar fortes dores abdominais após a cirurgia. O quadro teria evoluído nos dias seguintes, acompanhado de inchaço abdominal e alterações identificadas em exames.

Ainda conforme o depoimento, mesmo diante da persistência dos sintomas, a paciente recebeu alta em 31 de julho e retornou para Cordislândia. Poucas horas depois, seu estado de saúde teria piorado, levando-a a procurar atendimento em Monsenhor Paulo.

Na unidade, exames teriam apontado obstrução intestinal e sinais de infecção. Keyla foi posteriormente transferida novamente para Varginha, onde morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Segundo a família, a causa informada foi septicemia.

A Polícia Civil investiga o caso para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve eventual responsabilidade no atendimento.

Os dois episódios são distintos e ainda estão sob apuração. No caso mais recente, a investigação deverá esclarecer as condições do atendimento prestado à gestante e ao bebê antes e durante o parto.

O espaço permanece aberto para manifestação do Hospital Regional do Sul de Minas e dos profissionais envolvidos nos casos.

Fonte: Portal da Cidade Pouso Alegre, com informações da PMMG

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